O NOVO PARADIGMA ORGANIZACIONAL



Escrever sobre o panorama organizacional em contexto pandémico (que dura quase há uma ano) é algo de desafiante. É desafiante porque o mundo já não é o mesmo, as pessoas mudaram, assim como os hábitos de consumo e a demanda foi forçosamente alterada por inúmeros fatores. As organizações encontram-se agora perante um mercado virtual e mais amigo do ambiente. Para corresponder a esta nova realidade as organizações tem que se tornar mais sustentáveis, não acrescentar mais poluição ao ambiente, e termos uma produção que permita ao globo regenerar-se e desta forma conceder permissão á humanidade para mais uns anos na terra. Desta forma, as organizações irão apresentar maior capacidade de resiliência face ao novo normal. Mas o que é uma organização sustentável e amiga do ambiente? É aquela que participa em atividades ecológicas ou tem preocupação em garantir que todos os processos, produtos e atividades de produção atendem adequadamente às atuais preocupações ambientais, mantendo o lucro. Ou seja, atende às necessidades do mundo atual sem comprometer as necessidades das gerações futuras. A pauta da sustentabilidade nos negócios nunca esteve fora de discussão, mas o novo coronavírus tem tornado ainda mais fundamental projetar uma pós pandemia em que economia e natureza andem lado a lado. É com base neste novo cenário que representantes políticos, diretores de empresas, sindicatos e ONG’s formaram a Aliança Europeia para Recuperação Verde, uma iniciativa que propõe à União Europeia uma retomada sustentável no pós-pandemia de Covid-19.



Já em 2021 todas as instituições financeiras terão de ser muito mais transparentes sobre as suas práticas efetivas de sustentabilidade nos produtos financeiros que disponibilizam ao mercado. Se a taxonomia europeia sobre financiamento sustentável for efetivamente aplicada em todas as áreas do investimento, quer pelo setor privado quer pelo setor público, então sim, os investimentos serão cada vez mais verdes. Desde 2018 que a agenda europeia para catalisar o investimento verde tem vindo a ser cada vez mais intensa. Em novembro de 2019 foi publicado um regulamento “relativo à divulgação de informações relacionadas com a sustentabilidade no setor dos serviços financeiros”: Nele, estabelece regras harmonizadas de transparência aplicáveis aos intervenientes no mercado financeiro e aos consultores financeiros no que se refere à integração dos riscos em matéria de sustentabilidade e à consideração dos impactos negativos para a sustentabilidade nos seus processos, e à prestação de informações relacionadas com a sustentabilidade em relação a produtos financeiros.


Este regulamento, aplicável a partir de 10 de março de 2021, exige que “os intervenientes no mercado financeiro publiquem e atualizem nos seus respetivos sites online: a) Se tiverem em conta os principais impactos negativos das decisões de investimento sobre os fatores de sustentabilidade, uma declaração sobre as políticas de diligência devida relativamente a esses impactos, atendendo devidamente à sua dimensão, à natureza e à escala das suas atividades e aos tipos de produtos financeiros que disponibilizam; b) Se não tiverem em conta os impactos negativos das decisões de investimento sobre os fatores de sustentabilidade, motivos claros para tal, incluindo, se for caso disso, informações sobre se e quando tencionam ter em conta esses impactos negativos.” É assim evidente que já em 2021 todas as instituições financeiras terão de ser muito mais transparentes sobre as suas práticas efetivas de sustentabilidade nos produtos financeiros que disponibilizam ao mercado.



O ano de 2020 ficou marcado pela publicação do regulamento europeu “relativo ao estabelecimento de um regime para a promoção do investimento sustentável, e que altera o Regulamento (UE) 2019/2088”, que estabelece os critérios para determinar se uma atividade económica é qualificada como sustentável do ponto de vista ambiental, com vista a estabelecer em que grau um investimento é sustentável do ponto de vista ambiental. Existindo uma definição sobre o que pode ser classificado como atividade ambientalmente sustentável, então os fundos de investimento, os venture capital, os empréstimos e mesmo o financiamento público pode ter como critério o foco em “atividades ambientalmente sustentáveis”. Este reforço em alinhar o setor financeiro com o Pacto Ecológico, ou seja, com a descarbonização, economia circular, serviços dos ecossistemas entre outros, vai ser reforçado em 2021 com a publicação da Estratégia Europeia Renovada para o Financiamento Sustentável. Esta Estratégia esteve em consulta pública em 2020, tendo quatro organizações portuguesas (uma delas o banco Crédito Agrícola) (1) e uma cidadã portuguesa participado nesta discussão pública, que teve um total de 648 contribuições. Esta Estratégia Europeia Renovada para o Financiamento Sustentável, que deve ser divulgada a qualquer momento, vai trazer uma orientação muito clara e assertiva sobre como o mundo financeiro se terá de alinhar com a economia verde.


É expectável que esta Estratégia possa trazer mais informação sobre como e quando é que os rácios prudenciais dos bancos e seguradoras estarão também associados à exposição da Instituição aos riscos climáticos e/ou ambientais. Esta exigência de alinhar os investimentos em Atividades que sejam ambientalmente sustentáveis não se coloca apenas ao setor privado. Na realidade, no documento “Europe’s moment: Repair and Prepare for the Next Generation” de 25/5/2020 onde a Comissão Europeia propôs o novo instrumento de recuperação económica pós Covid. Pode ler-se que a “A taxonomia das finanças sustentáveis da UE orientará os investimentos na recuperação da Europa para garantir que estão em conformidade com as nossas ambições a longo prazo. Isso será apoiado por uma Estratégia de Finanças Sustentáveis renovadas ainda este ano.”


Esta frase significa que também os investimentos e/ou subsídios que os Estados Membro possam injetar na economia, devem estar alinhados com a taxonomia e com o reporte de informação ambiental (não financeira) que é fundamental para a boa aplicação da taxonomia. Recorde-se que, estar alinhado com a taxonomia, significa que os investimentos ou subsídios devem incidir sobre atividades ambientalmente sustentáveis. E para uma atividade ser ambientalmente sustentável, ela: Tem de contribuir substancialmente para um ou mais dos objetivos ambientais: - Mitigação às alterações climáticas - Adaptação às alterações climáticas - Uso e proteção dos recursos marinhos - Transição para a economia circular, prevenção dos resíduos e reciclagem - Prevenção e controlo da poluição - Proteção de ecossistemas saudáveis sustentável Não pode causar danos significativos em nenhum dos outros objetivos; Tem de cumprir com os critérios mínimos sociais (por exemplo, OECD Guidelines on Multinational Enterprises and the UN Guiding Principles on Business and Human Rights ) Tem de cumprir com os critérios técnicos definidos a taxonomia. Atualmente ainda só existem critérios técnicos para os objetivos de mitigação e adaptação. Os restantes serão produzidos durante o ano 2021.



Para além da regulação que reforça e cria o contexto para que os investimentos verdes sejam acelerados, os investimentos públicos também deverão colocar estes critérios na alocação de recursos financeiros na recuperação da economia. Assim, tudo indica que em 2021 os investimentos verdes tenderão a aumentar. Veremos se a prática conseguirá confirmar a expectativa. Existem cada vez mais pessoas conscientes quanto às questões que envolvem o meio ambiente. Prova disso é a grande tendência, por parte dos compradores com o facto dos produtos que consomem serem verdes, o que demonstra a possibilidade de expansão para este nicho de mercado. Investir em negócios sustentáveis é olhar o futuro e as pequenas empresas e os empreendedores serão a chave para resolver os problemas entre a economia e o meio ambiente. O que levou a esta consciência? A informação! A pensar em toda esta informação, cada pessoa começa a fazer a sua parte. E, claro, esta alteração também se fez sentir nas empresas e organizações.





Writing about the organizational landscape in a scenario context (which lasts almost a year) is challenging. It is challenging because the world is no longer the same, people have changed, as well as consumption habits and demand has been forcibly altered by numerous factors. Organizations are now facing a virtual market and more environmentally friendly. To correspond to this new reality organizations have to become more sustainable, not add more pollution to the environment, and have a production that allows the globe to regenerate and thus grant permission to humanity for a few more years on earth. In this way, organizations will have greater resilience compared to the new normal. But what is a sustainable, environmentally friendly organization? It is the one that participates in ecological activities or is concerned with ensuring that all processes, products and production activities adequately meet current environmental concerns while maintaining profit. That is, it meets the needs of today's world without compromising the needs of future generations. The agenda of business sustainability has never been out of discussion, but the new coronavirus has made it even more critical to design a post-pandemic in which economy and nature go hand in hand. It is on the basis of this new scenario that political representatives, business directors, trade unions and NGOs have formed the European Alliance for Green Recovery, an initiative that proposes to the European Union a sustainable resumption in the post pandemic covid-19.


Already by 2021 all financial institutions will have to be much more transparent about their effective sustainability practices in the financial products they make available to the market. If the European taxonomy on sustainable financing is effectively applied in all areas of investment, both by the private sector and by the public sector, then yes, investments will be increasingly green. Since 2018, the European agenda to catalyze green investment has been increasingly intense. In November 2019, a Regulation "on the disclosure of sustainability-related information in the financial services sector" : Was published, laying down harmonized transparency rules for financial market participants and financial advisers on integrating sustainability risks and considering negative impacts on sustainability in their processes, and providing sustainability related information in relation to financial products.


This Regulation, applicable from 10 March 2021, requires "financial market participants to publish and update on their respective online sites: (a) take into account the main negative impacts of investment decisions on sustainability factors, a statement on due diligence policies in relation to those impacts, taking due account of their size, the nature and scale of their activities and the types of financial products they make available; (b) Where they do not take into account the negative impacts of investment decisions on sustainability factors, clear reasons for this, including, where appropriate, information on whether and when they intend to take those negative impacts into account." It is therefore clear that by 2021 all financial institutions will have to be much more transparent about their effective sustainability practices in the financial products they make available to the market.



The year 2020 was marked by the publication of the European Regulation "on the establishment of a scheme for the promotion of sustainable investment, and amending Regulation (EU) 2019/2088", which sets out the criteria for determining whether an economic activity is classified as environmentally sustainable, with a view to establishing the degree to which an investment is environmentally sustainable. There is a definition of what can be classified as an environmentally sustainable activity, then investment funds, venture capital, loans and even public financing may focus on "environmentally sustainable activities". This strengthening of aligning the financial sector with the Ecological Pact, i.e. with decarbonisation, circular economy, ecosystem services and others, will be strengthened in 2021 with the publication of the Renewed European Strategy for Sustainable Financing. This Strategy was in public consultation in 2020, with four Portuguese organizations (one of them the Banco Crédito Agrícola) (1) and a Portuguese citizen participating in this public discussion, which had a total of 648 contributions. This renewed European Strategy for Sustainable Finance, which should be disseminated at any time, will bring a very clear and assertive approach on how the financial world will have to align itself with the green economy.


It is expected that this Strategy will provide more information on how and when the prudential ratios of banks and insurers will also be linked to the Institution's exposure to climate and/or environmental risks. This requirement to align investments in activities that are environmentally sustainable is not only placed on the private sector. In fact, in the document "Europe's moment: Repair and Prepare for the Next Generation" of 25/5/2020, where the European Commission proposed the new post-Covid economic recovery instrument. It can be read that the "The EU's taxonomy of sustainable finance will guide investments in Europe's recovery to ensure that they are in line with our long-term ambitions. This will be supported by a renewed Sustainable Finance Strategy later this year.


This sentence means that also the investments and/or subsidies that Member States can inject into the economy must be aligned with the taxonomy and the reporting of environmental (nonfinancial) information which is fundamental for the good application of taxonomy. It is recalled that, being aligned with taxonomy, means that investments or subsidies should focus on environmentally sustainable activities. And for an activity to be environmentally sustainable, it: It must contribute substantially to one or more of the environmental objectives: - Climate change mitigation - Adaptation to climate change - Use and protection of marine resources - Transition to the circular economy, waste prevention and recycling - Pollution prevention and control - Protection of sustainable healthy ecosystems It may not cause significant harm to any of the other objectives; Must comply with the minimum social criteria (e.g., OECD Guidelines on Multinational Enterprises and the UN Guiding Principles on Business and Human Rights ) You must comply with the technical criteria defined in the taxonomy. Currently there are still only technical criteria for mitigation and adaptation objectives. The rest will be produced during the year 2021.



In addition to the regulation that strengthens and creates the context for green investments to be accelerated, public investments should also place these criteria on the allocation of financial resources in the recovery of the economy. Thus, everything indicates that by 2021 green investments will tend to increase. We'll see if the practice can confirm the expectation. More and more people are aware of issues involving the environment. Proof of this is the great tendency on the part of buyers with the fact that the products they consume are green, which demonstrates the possibility of expansion into this niche market. Investing in sustainable businesses is looking to the future and small businesses and entrepreneurs will be the key to solving the problems between the economy and the environment. What led to this consciousness? The information! Thinking about all this information, each person begins to do his or her part. And, of course, this change has also been felt in companies and organizations.


Os artigos fazem parte integrante da edição 9 da revista "INPortugal Business Magazine" qualquer cópia, reprodução total ou parcial sem autorização dos autores está proibido por lei e por direitos de Copywriting.




19 visualizações0 comentário

© 2020 por COMBINEYOURBUSINESS LDA.